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Buscar boas companhias

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1780 2013/12/01 2022/10/03

O Profeta Muhammad, que Deus o exalte, frequentemente falava a seus companheiros sobre o valor de boa companhia.  Enfatizava a necessidade de nos cercarmos de boas pessoas.  Pessoas que compartilham dos mesmos valores que nós, são os melhores amigos e companheiros.  Diferenças de opinião, interesses e estilos de vida diferentes podem tornar nossas amizades interessantes e, algumas vezes, desafiantes, mas se o sistema de valores principal não for o mesmo a amizade em si provavelmente não tem uma base sólida.

Para o crente a base sólida deve ser sempre o Islã; a verdade irrefutável de que não há deus merecedor de adoração exceto Allah e que Muhammad é Seu mensageiro.  Cada crente, passado, presente e futuro, está ligado por essa verdade fundamental.  O profeta Muhammad falou sobre esse elo em muitas ocasiões.

“A parábola dos crentes em seu amor e misericórdia mútuos é como a de um corpo vivo: se uma parte sente dor, o corpo inteiro sofre, sem dormir e com febre.” [1]

“O crente para outro crente é como uma construção sólida, uma parte apoia a outra.” [2]

Amizade e companheirismo são importantes no Islã.  Um bom amigo aceita nossas falhas, mas ao mesmo tempo nos guia e dá apoio.  Um bom amigo acomoda nossas faltas, mas as corrige quando possível.  Um bom amigo nos amará e perdoará por Deus.

É importante escolher seus amigos cuidadosamente.  O profeta Muhammad advertiu aos crentes sobre isso também.  Disse que uma pessoa seria influenciada por seus amigos e advertiu que todos deviam examinar com cuidado aqueles que considera ser seus amigos.[3]

O que podemos entender disso é que é fácil ser influenciado pelas pessoas ao nosso redor.  É fácil adotar seus maneirismos e qualidades sem ficarmos cientes disso.  Se forem boas qualidades então é uma coisa boa, mas e se as pessoas que considera suas amigas o afastarem da lembrança de Deus?  Seria um desastre e Deus adverte sobre isso no Alcorão.

“Será o dia em que o iníquo morderá as mãos e dirá: Oxalá tivesse seguido a senda do Mensageiro! Ai de mim!  Oxalá não tivesse tomado fulano por amigo.  Porque me desviou da Mensagem, depois de ela me ter chegado.” (Alcorão 25:27-29)

O profeta Muhammad também reiterou esse ponto quando contou a história do ferreiro e do vendedor de perfumes.

O exemplo de um bom companheiro (amigo) em comparação com um mau amigo é como a que existe entre quem vende almíscar e o ferreiro.  Do primeiro você compra almíscar ou desfruta de seu perfume, enquanto que com o ferreiro você se queima ou sente um cheiro ruim.[4]

Quando encontramos bons amigos é importante manter a amizade.  Os crentes estão conectados por seu amor a Deus e a Seu mensageiro e isso implica em certas responsabilidades.  A pessoa deve estar preparada para ignorar algumas das falhas de seu irmão ou irmã no Islã; deve estar preparado para desculpar qualquer comportamento mau ou incorreto que identifique neles.

Isso não significa, entretanto, que deva fechar os olhos para o pecado.  Não, ao invés disso significa que deve manter os laços de amizade enquanto busca compreender e ajudar os que se desviam.  Os crentes não devem nunca embaraçar ou assediar publicamente uns aos outros.  Não devem nunca expor as faltas uns dos outros.  Gentileza e misericórdia devem ser evidentes em todas as transações.

Quem ocultar (a falta de) um muçulmano, Deus ocultará sua falta no Dia do Juízo.” [5]

O sábio islâmico, Ibn Mazin, disse: “O crente procura desculpas para seus irmãos, enquanto o hipócrita procura suas faltas.”  E Hamdun al-Qassar disse: “Se um de seus irmãos comete um erro, procure noventa desculpas para ele e, se não o fizer, será o censurável.”

Em suas tradições, o profeta Muhammad disse: “Uma pessoa visitou seu irmão em outra cidade e Deus enviou um anjo para esperá-lo em seu caminho.  O anjo disse: “Onde pretende ir?” O homem respondeu: “Pretendo ir até meu irmão nessa cidade.” O anjo disse: “Fez algum favor a ele, o reembolso do que pretende obter?” Disse: “Não, eu o amo por Deus, o Exaltado e Glorioso.” Então o anjo disse: “Sou um mensageiro para você vindo de Deus para informá-lo que Deus ama você tanto quanto você O ama.” [6]

Os crentes nunca devem invejar uns aos outros, devem estar sempre felizes quando as bênçãos de Deus recaem sobre seus amigos e companheiros. O Profeta, que Deus o exalte, disse:

Nenhum de vocês verdadeiramente crê até que ame para o seu irmão o que ama para si mesmo.[7]

A oração do muçulmano por seu irmão ausente será respondida.  Existe um anjo ao seu lado que toda vez que ele ora por seu irmão diz “amém, e você terá o mesmo”.

Não fale mal de um muçulmano; não inveje outro muçulmano; não vá contra um muçulmano e o abandone.  Ó servos de Allah!  Sejam como irmãos uns para os outros.  Não é aceitável para um muçulmano desertar seu irmão por mais de três dias.[8]

Um crente ama todos os outros crentes por Deus.  Deseja para eles o que deseja para si mesmo.   Um crente é tolerante dos erros ou falhas dos outros e é perdoador.  Não há raiva, inveja, ódio ou malícia entre os crentes.  Os crentes são gentis, leais e generosos uns com os outros e oram uns pelos outros.

Soa bom demais para ser verdade, não é? Entretanto, isso é o Islã.  É um modo de vida que espera que cada pessoa respeite as outras pessoas.  O Islã diz que você é parte de uma comunidade e é seu direito e sua responsabilidade ser a melhor pessoa que puder.  Buscar boas companhias e manter bons relacionamentos é uma responsabilidade que cada crente tem consigo mesmo, sua comunidade e Deus.  Buscar companheiros que busquem o paraíso na outra vida.

“Sê paciente, juntamente com aqueles que pela manhã e à noite invocam seu Senhor, anelando contemplar Seu Rosto. Não negligencies os crentes, desejando o encanto da vida terrena e não escutes aquele cujo coração permitimos negligenciar o ato de se lembrar de Nós, e que se entregou aos seus próprios desejos, excedendo-se em suas ações.” (Alcorão 18:28)



Footnotes:

[1]Saheeh Al-Bukhari, Saheeh Muslim

[2]Ibid. 

[3] At Tirmidhi, Ahmad, Abu Dawood.

[4] Saheeh Al-Bukhari

[5]Abu Dawood.

[6] Saheeh Muslim

[7] Saheeh Al-Bukhari

[8] Saheeh Muslim

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