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Abu Bakr, o verídico (parte 3 de 3): O protetor

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1270 2015/04/21 2022/12/01

Abu Bakr era um homem perspicaz.  Capaz de discernir a verdade quando outros estavam confusos pelas complexidades de uma situação.  Portanto, achou muito fácil ver a verdade no Islã, mas percebeu que as palavras de Muhammad causariam uma divisão na sociedade de Meca.  Os líderes de Meca não tolerariam nada que prejudicasse sua situação econômica e estilo de vida.  Abu Bakr sabia que tempos difíceis estavam por vir e sentiu que era seu dever proteger seu companheiro, o profeta Muhammad.  Os dois amigos se viam diariamente e a amizade se fortaleceu à medida que sua compreensão do Islã aumentou e se enraizou em seus corações.  Por três anos o Islã floresceu em segredo.  Os novos muçulmanos espalharam a mensagem do Islã por meio de uma rede de famílias e amigos de confiança, mas veio o momento em que Deus ordenou o profeta Muhammad a propagar a mensagem em público.


Abu Bakr entendeu que a vida se tornaria difícil, já que os líderes de Meca perceberam quantas pessoas estavam aceitando o Islã.  Sabia que o profeta Muhammad precisaria de sua proteção, mas com o passar dos meses Abu Bakr também assumiu o papel de protetor de muitos novos muçulmanos.  Como mais e mais pessoas se convertiam ao Islã, os líderes não-muçulmanos de Meca começaram uma campanha de perseguição e abuso destinada a destruir a nova fé.  A maioria dos homens, mulheres e crianças das tribos de Meca tinham a proteção de suas famílias, mas os escravos e os pobres eram particularmente vulneráveis.


Os escravos e os destituídos eram particularmente atraídos pelos ensinamentos do Islã.  Ouviam as palavras de igualdade, liberdade e misericórdia do Deus Verdadeiro e Único e viam como uma forma de escapar da brutalidade de suas existências e encontrar conforto no perdão e amor de Deus.  Aprenderam que todos os homens eram servos de Deus e que Ele oferecia orientação e proteção a todos, não apenas à elite.  Abu Bakr era um comerciante rico, capaz de aliviar o sofrimento de muitos escravos comprando-os de seus donos e libertando-os.


Entre os escravos libertados por Abu Bakr estava Bilal[1], o homem destinado a se tornar o primeiro a chamar os crentes para a oração.  O dono de Bilal fez com que ele deitasse na areia escaldante com grandes placas de rocha sobre o peito, mas Bilal se recusou a abrir mão de sua nova crença.  Quando Abu Bakr soube da condição de Bilal, correu para libertá-lo.  No total Abu Bakr libertou oito escravos, quatro homens e quatro mulheres.  Embora a compra e libertação de escravos não fossem desconhecidas na sociedade de Meca, geralmente eram feitas por razões menos altruísticas.  Quando um escravo era liberto, estava preso por uma questão de honra a oferecer sua proteção àquele que o libertou e por essa razão os mecanos ricos libertavam escravos fortes e em forma.  Abu Bakr libertava escravos por amor a Deus, não para si mesmo.

"Que aplica os seus bens, com o fito de purificá-los. E não faz favores a ninguém com o fito de ser recompensado, senão com o intuito de ver o Rosto do seu Senhor, o Altíssimo; E logo alcançará (completa) satisfação." (Alcorão 92:18-21)

Protegendo seu companheiro

Um dia, quando o profeta Muhammad estava na Caaba (Casa de Deus), os mecanos o cercaram, começando a insultar e abusar verbalmente dele, o que rapidamente se desenvolveu para abuso físico.  Informaram a Abu Bakr de que seu companheiro precisava de sua ajuda e ele correu para a Caaba e entrou no meio da briga, se colocando entre o profeta Muhammad e seus agressores.  Gritou: "Matariam um homem por dizer que Allah é seu Senhor?"[2]  Os mecanos ficaram momentaneamente atordoados, mas em segundos caíram sobre Abu Bakr e o espancaram sem misericórdia.  O espancamento foi tão severo que o sangue jorrou de sua cabeça e encharcou seu cabelo.


Em outra ocasião, quando o profeta estava orando, um dos integrantes da elite de Meca amarrou um pedaço de pano no pescoço dele e começou a estrangulá-lo.  Embora as pessoas vissem o que estava acontecendo, ninguém teve coragem suficiente para socorrer o profeta Muhammad.  Quando Abu Bakr entrou na Caaba e viu o que estava acontecendo com seu amigo, correu e lutou com o agressor.


Uma história que vem de Ali ibn Abu Talib resume a reputação de Abu Bakr como uma pessoa capacitada e calma que nunca colocou suas próprias necessidades em primeiro lugar e era devotado ao Islã e seu mensageiro, o profeta Muhammad.  Quando Ali foi o líder os muçulmanos, muitos anos depois das mortes do profeta Muhammad e de Abu Bakr, fez um discurso no qual perguntou à audiência: "Quem é o homem mais corajoso no Islã?"  A audiência respondeu: "Você! Ameer Al Mumineen (líder dos crentes)". Ali tinha uma grande reputação como guerreiro e combatente corajoso.  Ele olhou para os homens sentados diante dele e disse: "É verdade que nunca enfrentei um oponente e perdi, mas não sou o mais corajoso.  Essa honra pertence a Abu Bakr."

Ali prosseguiu relatando que na batalha de Badr, a primeira batalha que a nação muçulmana em formação enfrentou, os muçulmanos se recusaram a deixar o profeta Muhammad na linha de frente e, ao invés disso, construíram um abrigo para ele na retaguarda.  Foi perguntado aos homens quem era voluntário para guardar o profeta, mas ninguém se apresentou, exceto Abu Bakr.  O profeta Muhammad ficou no abrigo por algum tempo, orando pelo sucesso de sua pequena nação, e Abu Bakr pode ser visto caminhando de um lado para o outro, sua espada desembainhada, pronto para repelir qualquer ameaça a seu amado companheiro.

Mais tarde na batalha, o profeta Muhammad liderou o batalhão central e Abu Bakr no flanco direito.  Eram amigos unidos em todas as circunstâncias, em tempos de facilidade e dificuldade.  Abu Bakr é um exemplo de homem corajoso, preparado para usar sua riqueza, habilidades e força a serviço do Islã e pronto para dar sua vida por Deus ou para proteger o mensageiro de Deus.


Palavras de louvor

Ali ibn Abu Talib fez a oração do funeral de Abu Bakr.  As passagens a seguir são apenas uma pequena amostra de suas palavras para louvar o companheiro mais próximo do profeta Muhammad.


"Você o apoiou quando outros o desertaram e permaneceu firme ajudando-o nos infortúnios quando outros tinham retirado o apoio.


Tinha a voz mais baixa, mas a distinção mais alta.  Sua conversa era a mais exemplar e seu raciocínio o mais justo. Seu silêncio era o mais longo e seu discurso o mais eloquente.  O mais bravo entre os homens e bem informado sobre as questões, sua ação foi dignificada."  Assim era Abu Bakr, o protetor.



Notas de rodapé:

[1] Saheeh Al-Bukhari

[2] Saheeh Al-Bukhari

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