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A Jornada para a Outra Vida (parte 1 de 8): Introdução

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1467 2014/06/30 2022/12/01

Introdução

Muhammad, o Profeta do Islã que morreu em 632, relatou:

“Gabriel veio até mim e disse, ‘Ó Muhammad, viva como quiser, porque eventualmente você morrerá.  Ame a quem desejar, porque eventualmente você partirá.  Faça o que quiser, porque você pagará.  Saiba que a oração da noite[1] é a honra de um crente e seu orgulho está em não ser dependente dos outros.’” (Silsilah al-Saheehah)


Se existe uma coisa que é certa sobre a vida, é que ela tem um fim.  Essa verdade instintivamente levanta uma questão que preocupa a maioria das pessoas pelo menos uma vez em suas vidas: o que existe além da morte?


A nível psicológico, a jornada que o morto empreende é clara para todas as testemunhas.  Se considerarmos apenas causas naturais,[2] o coração parará de bater, os pulmões pararão de respirar, e as células do corpo morrerão por falta de sangue e oxigênio.  O término do fluxo de sangue para as extremidades externas em breve as tornará pálidas.  Com o corte do oxigênio, as células respirarão anaerobicamente por um período, produzindo ácido lático que causa rigor mortis - o endurecimento dos músculos do cadáver.  Então, enquanto as células começam a se decompor, o endurecimento se desvanece, a língua fica protuberante, a temperatura cai, a pele descolore, a carne apodrece, e os parasitas têm sua festa – até que tudo que resta são dentes e ossos secos.


Quanto à jornada da alma após a morte, não é algo que possa ser testemunhado, nem medido através de pesquisa científica.  Mesmo um corpo vivo, a consciência, ou alma, de uma pessoa não podem ser sujeitos à experimentação empírica.  Está simplesmente além do controle humano.  Em função disso, o conceito de uma Vida Futura – uma vida além da morte, ressurreição, e um Dia do Juízo; sem mencionar a existência de um Criador Divino, Onipotente, Seus anjos, destino e assim por diante – se encaixam no tema da crença no invisível.  A única forma na qual um homem vem a conhecer qualquer coisa do incognoscível é através de revelação divina.


“Ele possui as chaves do incognoscível, coisa que ninguém, além d’Ele, possui;  Ele sabe o eu há na terra e no mar; e não cai uma folha (da árvore) sem que Ele disso tenha ciência;  não há um só grão, no seio da terra, ou nada verde, ou seco, que não esteja registrado no Livro lúcido.” (Alcorão 6:59)


Embora tudo que chegou até nós da Torá, dos Salmos e do Evangelho – as escrituras reveladas aos profetas anteriores – falem da Vida Futura, apenas através da Revelação Final de Deus à humanidade, o Alcorão Sagrado, como revelado ao seu Último Profeta, Muhammad, nós aprendemos mais sobre a vida futura.  E como o Alcorão está, e permanecerá para sempre, preservado e sem corrupção de mãos humanas, o discernimento que ele nos dá do mundo invisível é, para o crente, tão factual, real e verdadeiro como qualquer coisa que possa ser aprendida através de esforço científico (e com margem zero de erro!).

“...Nada omitimos no Livro; então, serão congregados ante seu Senhor.” (Alcorão 6:38)


Associada à questão do que acontece após morrermos, está a pergunta: por que estamos aqui? Por que se de fato não existir propósito para a vida (ou seja, algo maior do que simplesmente viver a vida em si), a questão do que acontece após a morte se torna acadêmica, e até sem sentido.  Apenas se aceitarmos que nosso projeto inteligente, ou criação, requer uma inteligência e planejador, um Criador que nos julgará pelo que fazemos, é que a vida na terra tem qualquer sentido significativo.

 

“Pensais, porventura, que vos criamos por diversão e que jamais retornareis a Nós?  Exaltado seja Deus, Verdadeiro, Soberano! Não há mais divindade além d’Ele, Senhor do honorável Trono!” (Alcorão 23:115-116)


No mínimo, uma pessoa com discernimento seria forçada a concluir que a vida na terra está cheia de injustiças, crueldade e opressão; que a lei da selva, sobrevivência do mais forte, é o que conta; que se alguém não tiver felicidade nessa vida, seja devido à ausência de confortos materiais, amor físico, ou outras experiências agradáveis, então a vida simplesmente não vale a pena ser vivida.  De fato, é precisamente porque uma pessoa se desespera dessa vida mundana por ter uma fé pequena ou  imperfeita, ou mesmo nenhuma fé, em uma vida futura, que ela pode cometer suicídio.  Afinal, o que o infeliz, não-amado e não-desejado; o desanimado, (desesperadamente) deprimido e desesperado tem a perder?![3]


“Disse-lhes: E quem desespera a misericórdia do seu Senhor, senão os desviados?” (Alcorão 15:56)


Então, podemos aceitar que a nossa morte está limitada ao mero término fisiológico, ou que a vida é meramente um produto de evolução cega e egoísta?  Certamente, existe mais na morte, e o mesmo na vida, do que isso.



Footnotes:

[1] Orações rituais (salat) realizadas voluntariamente à noite após a última (isha) e antes da primeira (fajr) das cinco orações diárias.  O melhor momento para fazê-las é no terço final da noite.


[2] Embora um coração possa ser mantido batendo artificialmente, e o sangue bombeado artificialmente, se o cérebro estiver morto, o mesmo vale para o ser como um todo.


[3] De acordo com um relatório das Nações Unidas marcando o ‘Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio’, “Mais pessoas se matam a cada ano do que o total combinado das que morrem por guerras e assassinatos... Em torno de 20 a 60  milhões tentam se matar a cada ano, mas apenas um milhão delas consegue.” (Reuters, 8 de Setembro de 2006)

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