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Noor, ex-hindu, Reino Unido (parte 1de 2)

1251 2014/09/07 2023/02/04

Vim de uma família puramente hinduísta em que sempre fomos ensinados a nos considerarmos (ou seja, as mulheres) como seres que no fim seríamos casadas, teríamos filhos e serviríamos o marido - fosse ele gentil ou não.  Além disso, achava que havia muitas coisas que realmente oprimiam as mulheres, como:


Se uma mulher enviuvasse, devia usar sempre um sari branco, fazer refeições vegetarianas, cortar o cabelo curto e nunca voltar a se casar.  A noiva tinha que pagar um dote à família do marido.  E o marido podia pedir qualquer coisa, sem levar em consideração se a noiva teria dificuldade em dar o que foi pedido.


E não apenas isso, mas se, depois do casamento, ela não fosse capaz de pagar o dote integral, seria emocional e fisicamente torturada e podia terminar sendo uma vítima da “morte da cozinha”, na qual o marido ou a sogra e o marido, tentam colocar fogo na esposa enquanto ela cozinha ou está na cozinha, tentando fazer parecer um acidente fatal.  Cada vez mais casos como esse estão ocorrendo.  A filha de uma amiga de meu pai teve esse destino no ano passado!


Além de tudo isso, os homens no Hinduísmo são tratados literalmente como se estivessem entre os deuses.  Em uma das celebrações religiosas hindus as meninas solteiras oram para e adoram um ídolo que representa um deus em particular (Shira), para que tenham maridos como ele.  Até minha própria mãe me pediu para fazer isso.  Isso me fez ver que a religião Hinduísta, baseada em superstições e coisas sem prova manifesta, meramente composta de tradições que oprimiam as mulheres, não podia estar certa.


Subsequentemente, quando vim para a Inglaterra estudar, pensei que pelo menos esse é um país que dá direitos iguais a homens e mulheres e não as oprime.  Todos temos liberdade de fazer o que quisermos, pensei.  Bem, comecei a encontrar pessoas e fazer amigos, aprender sobre essa nova sociedade e ir a todos os lugares que meus amigos iam, para me “socializar” (bares, boates, etc.) e percebi que essa “igualdade” não era na prática o que consta na teoria.


Aparentemente as mulheres recebem direitos iguais em educação, trabalho e assim por diante, mas na realidade as mulheres continuam a ser oprimidas de uma maneira diferente e mais sutil.  Quando fui com meus amigos a esses lugares onde eles se reuniam, vi todos interessados em conversar comigo e pensei que fosse normal.  Mas só depois percebi como tinha sido ingênua e reconheci o que essas pessoas realmente estavam procurando.  Logo comecei a me sentir desconfortável, como se não fosse eu mesma: Tinha que me vestir de certa forma para que as pessoas gostassem de mim, e tinha que falar de certa maneira para agradá-las.  Cada vez me sentia mais desconfortável, cada vez me sentia menos eu mesma e ainda assim não conseguia sair daquilo.  Todos diziam que estavam se divertindo, mas não chamo isso de diversão.


Acho que as mulheres nesse tipo de vida são oprimidas: têm que se vestir de certa forma para agradar e parecer cada vez mais atraentes e também falar de certa forma para que as pessoas gostem delas.  Durante essa época não tinha pensado sobre o Islã, apesar de ter alguns conhecidos muçulmanos.  Mas sentia que realmente tinha que fazer algo para encontrar alguma coisa com a qual ficasse feliz, segura e me sentisse respeitada.  Algo para acreditar que seja a crença correta, porque todos têm uma crença com a qual vivem de acordo.  Se debochar dos outros for a convicção de alguém, eles debocham.  Se ganhar dinheiro for a convicção de alguém, fazem de tudo para alcançá-lo.  Se acreditam que beber é uma forma de curtir a vida, então bebem.  Mas sinto que isso não leva a nada; ninguém está realmente satisfeito e o respeito que as mulheres procuram está diminuindo dessa forma.

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